8 de julho de 2014

15 anos da morte de Jayme Caetano Braun

Há exatos 15 anos, morreu um imortal. Jayme Caetano Braun, payador de São Luiz Gonzaga, das Missões. Ele nos deixou a obra dos galpões, dos velhos campeiros, das paisagens missioneiras, das tropeadas, estilhaços de um “Rio Grande selvagem”, como ele mesmo escreveu.

O legado do payador está vivo nos seus livros, nos versos gravados e, sobretudo, na fala e na memória de nossa gente. Hoje é dia de homenageá-lo e fazer seus versos viverem em outras vozes.

Jayme, payador, poeta e radialista, nasceu na Timbaúva, na época distrito de São Luiz Gonzaga, na Região das Missões, Rio Grande do Sul. Durante a carreira fez inúmeras payadas, poemas e canções, sempre falando do Rio Grande do Sul, dos modos gaúchos, da vida campeira e da natureza local.

"Mas não é a toa - chomisco!
Que sou de São Luiz Gonzaga!"

("Bochincho", Jayme Caetano Braun)
Escultor: Vinícius Ribeiro

Trabalhou, publicando poemas, em jornais como O Interior e A noticia. Passou a dirigir o programa radiofônico Galpão de Estância em 1948, em São Luiz Gonzaga e em 1973 passa a participar do programa semanal Brasil Grande do Sul da Rádio Guaíba. Em Porto Alegre, o primeiro jornal a publicar seus poemas foi o A Hora, que dedicava toda a semana uma página em cores aos poemas dele.


Em 1945 começa a atuar na política, participando nos palanques de comício como payador. O poema O Petiço de São Borja, que foi publicado em revistas e jornais do país, fala de Getúlio Vargas. Participou das campanhas de Ruy Ramos, com o poema O Mouro do Alegrete, como era conhecido o político e parente de Jayme. Foi Ruy Ramos, também ligado ao tradicionalismo, que lançou Jayme como payador, no 1º Congresso de Tradicionalismo do Rio Grande do Sul, realizado em 1954 em Santa Maria.

Casou duas vezes, com Nilda Jardim em 1947, e em 1988 com Aurora de Souza Ramos. Teve três filhos, Marco Antônio e José Raimundo do primeiro casamento, e Cristiano do segundo.

Morreu na capital gaúcha, no dia 8 de julho no ano de 1999, perto das 6h. O corpo foi velado no Palácio Piratini e enterrado no cemitério João XXIII.


Estes versos integram a obra imortal de Jayme Caetano Braun, payador missioneiro nascido em São Luiz Gonzaga, que morreu há 15 anos, com 75 anos de idade.


Há 15 anos Jayme Caetano Braun, um dos troncos missioneiros, nos deixou. Fica a saudade e o legado vivo em suas obras. Sua temática ia desde a expressão de uma devoção ao pago e sua gente, até objetos de seu universo – o galpão, o lenço, a faca, o cavalo -, a história do Estado e uma grande preocupação com a questão social. 


A voz de Jayme Caetano Braun está nas várzeas e coxilhas, nesses rostos cujas marcas lembram os sulcos da terra. Versos que trespassam as armadilhas do tempo. Payadas imortais.

3 de julho de 2014

Oficina Apaixone-se Missões



A "Oficina Apaixone-se" é uma oficina voltada para fotógrafos, que em maio deste ano teve sua edição nas Missões.

Pra quem se interessou em saber um pouco mais da Oficina, entre no site www.escoladeretratos.com ou na página da Escola de Retratos. Lá tem todas as informações das oficinas ministradas por profissionais incríveis!

29 de junho de 2014

Futebol no tempo das Missões Jesuítico-Guarani!



Cartas do período jesuítico escritas pelos padres das reduções garantem que os índios guaranis, que viviam entre Brasil, Paraguai e Argentina, já jogavam futebol no século XVII.

Segundo um antigo testemunho, “nos dias de festa, depois da Missa vespertina, os homens organizavam na praça uma batalha fingida, disparando flechas contra um alvo… também é usado para jogar bola, apesar de ser de borracha, era tão ligeiro e veloz que uma vez que davam um chute, continuavam dando voltas durante um bom tempo, sem parar, empurrado pelo próprio peso. Não tocam a bola com as mãos, como nós fazemos, mas com o pé, recebendo e passando com grande precisão.”

Assim escrevia o P. José Manuel Peramás, espanhol, nascido em 1732, que trabalhou em algumas daquelas missões dos Guaranis nas Reduções do Paraguay, e que teve que deixar o mundo índio, junto com seus companheiros jesuítas, por consequência da ordem de expulsão. Morreu em Faenza, Itália, em 1793. Mas o P. Peramás não é a única testemunha.

Sobre o mesmo assunto fala outro missioneiro da Reduções: o P. José Cardiel que também foi expulso do Paraguay e morreu exilado, na mesma cidade de Faenza no ano de 1781. Um grande historiador das Reduções, o P. Antonio Ruiz de Montoya, crioulo peruano, escrevia desde 1639-1640, que o jogo de bola já existia entre os Guaranis muito antes da chegada dos missioneiros espanhóis. Em suas cartas encontramos informações sobre as características e detalhes do futebol dos guaranis.



Esse vídeo, elaborado pelo ministério da Cultura paraguaio em colaboração com a congregação jesuíta local, traz estas informações. "Os guaranis inventaram o futebol", é o título do documentário. Os nativos corriam atrás do "mangá", um objeto esférico extraído da planta conhecida como Mangasi, conta o veterano sacerdote jesuíta espanhol Bartomeu Meliá. O jogo era o “mangá ñembosarái” ou “balompíe” (uma redução de balon com pie, em espanhol). Isso acontecia aos domingos, depois da missa nas reduções jesuíticas, conforme registros dos jesuítas e do Vaticano. No filme, ele afirma que era um esporte na América e que ainda não se sabia dele na Europa. As primeiras regras do futebol inglês datam de 1846.

O padre Antonio Montoya em seu ensaio “Tesouro da Língua Guarani”, impresso em Madrid no ano de 1639, é uma das provas. Nele, o jesuíta cita detalhes do esporte e das bolas do jogo com os pés e descreve de que material eram feitas.

Tesoro de la lengua Guarani
Padre Antonio Ruiz de Montoya 1639
O vídeo foi lançado em ato público na cidade de San Ignacio, (primeiro povoado jesuíta de indígenas convertidos do conesul). No documentário, Bartomeu Meliá, antropólogo e linguista, explica que o jogo com bola era praticado depois da missa dominical na praça do povoado jesuíta. "Não havia gol", diz o religioso.

As "Cartas Ânuas" (documento colonial que trazia informações sobre o processo de evangelização no Império Espanhol), que os padres da região conhecida na época como província do Paraguai enviavam ao padre general da Companhia de Jesus, também reportavam a existência desta recreação que chamavam de "mangá ñembosarai" (jogo do mangá).

O documentário transcreve outros testemunhos dos jesuítas, como o pároco de San Ignacio Antonio Betancor e o padre Alberto Luna.

25 de junho de 2014

O som e a cor da minha terra: Pedro Ortaça e o som que está na raiz do povo das Missões

Nesta quarta-feira, diretamente do Rio Grande do Sul, o representante da cultura missioneira, Pedro Ortaça e Família estarão em O SOM E A COR DA MINHA TERRA, às 23:00, na TV Brasil. O episódio inédito faz parte do programa Visceral Brasil: as veias abertas da música.


Nascido e criado nos Sete Povos das Missões, o cantor e compositor Pedro Ortaça faz da música um instrumento para manter acesa a fogueira cultural da região, fortemente cultivada pelos indígenas guaranis e pela ordem religiosa Jesuíta.

Ortaça canta histórias de enchentes, de lutas sociais e de homens e mulheres que dedicaram suas vidas a labutar na terra. Daquele terreno fértil brotam canções e poemas improvisados sobre temas como a honestidade e a amizade, além de pajadas inspiradas por utopias e amores fronteiriços.



Nascido em 1942, hoje Ortaça é Mestre das Culturas Populares Brasileiras – Prêmio Humberto Maracanã, do Ministério da Cultura – e tem mais de 120 músicas de sua autoria, consagrando-se com um dos principais baluartes da cultura gaúcha.




23 de junho de 2014

"De filho para pai", da Revista Moto Adventure, conta viagem às Missões



A reportagem "De filho para pai", da 
Revista MotoAdventure, edição de  Junho de 2014 traz nas páginas 104 a 112 a história de uma aventura sobre duas rodas realizada entre pai e filho.

"Ambos são moradores de Curitiba (PR): o motociclista Juliano Alves pilota uma Yamaha XTZ 250 Ténéré e seu pai, João Carlos Alves, uma Kasinski Mirage 250. Recentemente a dupla aproveitou um feriado da Páscoa para colocar as máquinas na estrada". 

Na reportagem, o autor conta como foi a viagem às Missões realizada na páscoa deste ano e traz lindas imagens da paisagem e arte missioneiras. Traz também dicas de alimentação e hospedagem na região, sugerindo a hospedagem na Pousada. Agradecemos a confiança no nosso serviço e a recomendação.


Confira a aventura nas palavras do autor, Juliano Alves. Já nas bancas.