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18 de novembro de 2016

MISSÕES: Um Mergulho na História da Formação da América

Uma das mais emocionantes histórias da humanidade ocorreu nas fronteiras do MERCOSUL. Área hoje formada pelas divisas do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Entre os anos 1609 e 1768 Padres Jesuítas e índios Guaranis construíram um novo caminho para a humanidade.

Inicialmente fundaram sua Província Modelo com cerca de 30 Reduções nas Regiões do Tape (RS), Itatim (MS) e Guairá (PR), as quais foram atacadas pelos bandeirantes na tentativa de levar os índios como escravos, sendo que milhares deles acabaram nas lavouras de São Paulo.

Após vários ataques migraram para a região entre o Rio Uruguai e o Rio Paraná. Em 1639 o Padre Montoya foi a Madri, conseguindo a autorização para o uso de armas de fogo o que levou a única grande vitória guarani frente às tropas paulistas na Batalha de M’bororé em 1641. Deste momento em diante, passou-se mais de 100 anos de tranqüilidade, onde o projeto pôde crescer. Para onde hoje é o Rio Grande do Sul retornaram a partir de 1682.

Este novo modelo fazia com que as ferramentas e os meios de produção, em vez de pertencerem a particulares, eram propriedade coletiva; as classes e o Estado foram abolidos. Os trabalhadores da indústria e da agricultura formaram uma associação livre de trabalhadores que se administrou economicamente. A economia local organizada, segundo um plano, baseou-se numa técnica aperfeiçoada, tanto na indústria como na agricultura. Não houve oposição entre a cidade e o campo, entre a indústria e a agricultura. Os produtores foram repartidos segundo a regra “De cada um, segundo suas capacidades, para cada um, segundo as suas necessidades”. A ciência e as artes foram colocadas em condições suficientemente favoráveis para chegarem a seu pleno florescimento. A personalidade dos guaranis isenta de preocupações da existência cotidiana e da necessidade de comprazer aos poderosos deste mundo, acabaram realmente livres.

O Padre Lugon, em seu livro, disse que foi a mais original das sociedades realizadas. Paul Lafargue, em conjunto com Bernstein, Kautski, Plechanov explica que o projeto constituiu um das experiências mais extraordinárias, que jamais tiveram lugar. Também Charlevoix e Muratori reconheceram-na como um modelo sem precedentes de sociedade cristã. A revista Lês Lettres Edificantes et Curieuses, dirigida pelos jesuítas, comparava os guaranis aos primeiros cristãos e descrevia suas comunidades como a realização ideal do cristianismo. Voltaire afirmou que o projeto Jesuítico-Guarani foi um “triunfo da humanidade”. O Abade Carbonel chamou de “coletivismo espontâneo”. Pablo Hernandez na Organización Social de lãs Doctrinas Guaranies, escreve que o maravilhoso surge a cada passo. O filósofo Rayal escreveu: "Aí se observavam as leis, reinava uma civilidade exata, os costumes eram puros, uma fraternidade feliz unia os corações, todas as artes de necessidade estavam aperfeiçoadas. A abundância era ai universal. Teve a graça das crianças, uma pureza repleta de candura. O mundo novo que estamos procurando realizar não pode menosprezar a lição fornecida."

Dois padres cuidavam da vida religiosa e temporal de mais de dois mil índios em cada redução, naquela fase inicial. Assim que uma tribo aceitava renunciar à vida nômade e se descobria uma localização favorável, era preciso construir, semear, comprar gado. Os padres expunham-se pessoalmente, labutando duro.



Com o deslocamento das reduções e a conseqüente exploração dos ervais, madeiras preciosas e estâncias, ocorreu o desenvolvimento. A localização final ficou estabelecida com oito reduções onde hoje está o Paraguai, 15 na Argentina, nas Províncias de Misiones e Corrientes e finalmente Sete do lado brasileiro, no noroeste do Rio Grande do Sul, onde hoje chamamos de Região das Missões. O número de habitantes chegou a quase 150.000.

Pelas eleições escolhiam seus alcaides, fiscais e outros ministros, e por este exercício adquiriram um sentimento de autonomia nacional e de responsabilidade em face do bem comum. Elegiam-se também chefes de setores “escolhidos entre os mais fervorosos cristãos”. O comércio exterior era também responsabilidade da confederação. As mais belas tradições de ajuda mútua e de amizade reinavam entre as diversas reduções e as diversas regiões. Os guaranis não eram desviados do mal pelo medo de punições, mas atraídos pelo bem em razão do ambiente social, pelo exemplo de todos e pela emulação.

Quanto à agricultura os índios tiveram que abandonar a vida nômade para se fixarem às reduções, as condições do território eram de excelentes terras. O clima era saudável. Canais de irrigação levavam a água aos campos. Cada redução tinha no mínimo oito imensas hortas comunais, os pomares estavam povoados de frutas. Foram concebidas e fabricadas as ferramentas necessárias. Muito rapidamente, as reduções constituíram o conjunto agrícola mais completo e melhor organizado da América. Quanto à pecuária só São Miguel abatia 40 rezes por dia para o consumo dos habitantes. Charlevoix assegura que o mérito do êxito alcançado cabia aos guaranis, como aos missionários da Companhia.

Quanto à introdução da indústria, foi muito mais difícil que a da agricultura. No princípio produziram vestuário, habitação, ferramentas agrícolas e transportes, as forjas e fundições vieram depois e tiveram muito sucesso. Todas as profissões artesanais tinham sido introduzidas e prosperavam. Fabricavam relógios, clarinetes, trompetes e tantos outros como nas melhores fábricas da Europa. A primeira oficina de impressão da Prata foi da República Guarani. Triunfaram em todas as artes. Montesquieu diz que o Estado Guarani foi o único estado industrial daquele período na América do Sul. Fundiram o ferro a partir das rochas encontradas na região e chegaram à siderurgia do aço.



Nas artes o Barroco fez-se pleno, mostravam-se sensíveis e acessíveis, possuíam naturalmente ouvido apurado e um singular gosto pela harmonia, aprenderam a tocar todo o tipo de instrumento, compunham músicas. O Padre Ripário diz que se não tivesse à vista os músicos acreditar-se-ia que as melhores orquestras da Europa estavam de passagem pelas Índias. Quanto à pintura e escultura eram de excelente qualidade.

O abastecimento, a armazenagem de produtos e sua distribuição eram assegurados pelos serviços comunais, sem qualquer intermediário comercial privado. A população obtinha os artigos sem dinheiro, nem qualquer espécie de moeda. Muratori afirmou que “Um dos mais sólidos fundamentos da paz e da união que reinam entre estes índios é a privação completa em que estão de espécies de ouro e prata, assim como em qualquer espécie de moeda”. A profissão de comerciante não existia.

O comércio externo era coordenado por um padre que estava em Buenos Aires , o transporte fazia-se principalmente por via fluvial em barcos à vela ou remo. Uma rede de estradas pavimentadas também fora criada. Os principais artigos exportados pelas reduções eram o mate, o fumo, o algodão, o açúcar, os tecidos de algodão, os bordados, as rendas, os objetos trabalhados em torno, mesas, armários, e baús de madeiras preciosas, esculturas, peles, curtumes e arreios de couro, rosários e escapulários, mel, frutas de todas as espécies, cavalos, mulas, e carneiros, assim como e excedente de diversas indústrias. Todos eram vendidos à Europa, Corrientes, Santa Fé e Vila Rica. Importavam produtos manufaturados e metais. Toda a produção era orientada para a satisfação das necessidades do todo.

Quanto à questão da propriedade o Padre Florentin de Bourges diz: “todo o solo pertencia à comunidade e era indivisível. Os bens são comuns, a ambição e a avareza são vícios desconhecidos, e não se registra entre eles litígios nem processos de divisão... Nada me pareceu mais belo do que a maneira como se provê à subsistência de todos os habitantes do povoado. Os que fazem a colheita são obrigados a transportar todo o cereal para os armazéns públicos, seguidamente funcionários fazem a distribuição pelos chefes de bairro, e estes pelas famílias, dando a cada uma, mais ou menos, segundo seja ela mais ou menos numerosa”.

Padre Cardiel registrou que os Guaranis não têm de seu, vacas, bois, cavalos, ovelhas ou mulas, e somente as galinhas. Tudo era comum entre eles. O Padre Antonio Sepp, quando da demarcação dos lotes na transferência de parte do povo de São Miguel para a nova terra disse que não houve qualquer conflito, pois não havia demarcação de qualquer limite, todavia encontrando indiferença, visto a satisfação com o regime de comunidade integral.

Quanto ao trabalho, em regra os guaranis não trabalhavam mais do que 6 horas diárias. Habitualmente iniciavam suas tarefas às nove horas, depois da missa, e as concluíam durante à tarde. Thomas Morus reconheceu que quando toda a comunidade trabalha este tempo é suficiente para o desenvolvimento da mesma. A comunidade atuava também como elemento de alegria no trabalho. De manhã os grupos desfilavam nas ruas e dirigiam-se para o campo ao som da flauta e do tambor, transportando com grande pompa a imagem de Santo Isidro, patrono dos agricultores. Pela tarde, no regresso, cantavam em coro suas canções de marcha.

Para a avaliação do trabalho, em geral, bastava acompanhar o ritmo médio. Aquele que não quer trabalhar não deve comer, aquele que não pode trabalhar deve comer. Os velhos, viúvas, órfãos, doentes eram mantidos a expensas da comunidade. Em uma carta dirigida ao governador de Buenos Aires, logo após a expulsão dos Padres, o Cabildo de São Luis diz: “Não somos escravos e queremos fazer ver que não gostamos do costume espanhol que quer “cada um por si”, em vez de se ajudarem mutuamente em seus trabalhos cotidianos”.

Adoravam o teatro e a dança, organizando grandes apresentações. O jogo de bola recebia todas as atenções, conforme o Padre Cardiel, os guaranis foram efetivamente os inventores do futebol, as bolas eram de borracha, feitas de resina de madeira. Jogavam com os pés.

A educação recebia uma atenção muito especial, pois dependia a prosperidade da República. Todas as crianças eram obrigadas a ir a escola pelo menos até os 12 anos. A igualdade notava-se pelo vestuário. Homens e mulheres recebiam em princípio, um trajo por ano, as crianças dois. O tecido e o corte eram uniformes para todos. O mesmo princípio de igualdade fazia com que não houvesse pobres entres eles.

A fé cristã implantou-se a custa de suor e sangue dos missionários. O caráter fraternal das instituições guaranis e, na base, do seu regime de propriedade, explica principalmente o fervor religioso e cristão sem par que reinou durante mais de um século e meio. O homem não era forçado a ser egoísta. O seu interesse pessoal coincidia normalmente com o bem da comunidade.

Em 1750 a República Guarani parecia ter atingido o seu mais alto ponto de esplendor. A cédula real de 1743 reconhecia seu lealismo e devoção à Coroa, porém em 13 de janeiro de 1750 ocorre o Tratado de Madri, que trocava os 7 Povos do lado esquerdo do Rio Uruguai pela Colônia de Sacramento, portuguesa, levando à Guerra Guaranítica ocorrida entre os anos 1754 a 1756, onde no dia 7 de fevereiro ocorre a morte do Cacique Sepé Tiaraju e no dia 10 a Batalha de Caiboaté, onde ocorreu a quebra de palavra dos exércitos de Portugal e Espanha, pois ocorreu o empenho de palavra de que a batalha ocorreria apenas 3 dias depois, mas os guaranis foram traídos, com isto ocorreu a morte de 1500 dos principais caciques e líderes índios, rompendo a segurança das Reduções, resultando na tomada pelos exércitos de Portugal e Espanha.

Finalmente em 1767 e 1768, o rei da Espanha Carlos III, assinou os decretos de expulsão dos Jesuítas das terras da América e das Colônias espanholas e finalmente em 1773 ocorre à supressão da Companhia de Jesus. No Paraguai as tropas que substituíram os Jesuítas desonraram-se com atos de violências. O povo guarani descendentes daquele período continua vivo nas aldeias ou formando os pobres do Rio Grande do Sul e América latina.




Hoje se pode ver o que restou deste grande projeto em uma visita ao Patrimônio Histórico Cultural da Humanidade de São Miguel das Missões, único do Sul do Brasil, mas também em outros sete locais missioneiros na parte brasileira. Também andar a cavalo em fazendas ou andar 13 dias pelo Caminho das Missões. Depois, passa-se ao lado argentino e paraguaio, completando a visita turística ao Circuito Internacional das Missões Jesuítico-Guarani da América do Sul, com 7 Patrimônios do Mundo pela Unesco.

Crédito Texto: José Roberto de Oliveira

17 de outubro de 2015

E-book “Instituições Culturais: região das Missões”, volume 1

A publicação "Instituições Culturais: a região das Missões" tem o objetivo de difundir a história e o contexto social de criação ou estabelecimento das principais instituições culturais na histórica região das Missões.


Por meio de textos escritos por pesquisadores convidados, são relatados a história de constituição e formação das instituições missioneiras.

Neste primeiro volume, estão contidas, além do Museu das Missões, outras três instituições culturais: Centro de Cultura Missioneira – CCM URI Santo Ângelo, com texto de Nadir Lurdes Damiani e Débora Doraiba Menezes; Centro de Criatividade Sãoluizense, apresentado por Sonia Bressan Vieira; Núcleo de Arqueologia do Museu Municipal Dr. José Olavo Machado em Santo Ângelo, com texto de Raquel Machado Rech.

O livro é uma parceria do OMiCult com a Editora Conceito de Porto Alegre.

O Observatório é um coletivo de professores e alunos da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Campus São Borja, dos cursos de Relações Públicas – ênfase em Produção Cultural e de Publicidade e Propaganda.
Prefácio 

Ronaldo B. Colvero

1. Centro de Cultura Missioneira: histórico e contexto social e acadêmico
Nadir Lurdes Damiani
Débora Doraiba Menezes Souto

2. Centro de Criatividade São-Luizense: um espaço consolidado de cultura
Sonia Bressan Vieira

3. O Núcleo de Arqueologia do Museu Municipal Dr. José Olavo Machado em Santo Ângelo: uma Instituição Cultural da Região das Missões
Raquel Machado Rech

4. Estudo sobre a trajetória do Museu das Missões IBRAM/MinC
Diego Luiz Vivian

Acesse o e-book completo em: 

16 de outubro de 2015

Documentos históricos: do Tratado de Madri a Conquista dos Sete Povos

No post anterior, publicamos o link contendo os documentos que antecederam a assinatura do Tratado de Madri.

Agora trazemos os documentos que envolvem o período de 1750 a 1802, o período de derrocada das Missões e expulsão dos jesuítas. Em meio aos marcos históricos, aparecem elementos importantes do cotidiano missioneiro.

Esta obra faz parte da “Coleção de obras impressas e manuscritas que tratam principalmente do Rio da Prata” foi reunida pelo militar, professor de história e diplomata Pedro De Angelis (1784 – Nápoles; 1859 – Buenos Aires), durante sua estada na capital portenha, no período de 1820 até 1852. Exilado após a queda de Rosas, De Angelis conseguiu negociar com a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, que adquiriu grande parte de sua Coleção.

A Coleção compõe-se de mais de 1.200 documentos manuscritos, produzidos no período compreendido entre o século XVI e o século XIX. São documentos originais e cópias autênticas de relatos, correspondências e processos de vários tipos, que atestam a conturbada história das áreas de fronteira entre as Américas Portuguesa e Espanhola. Parte significativa da Coleção é composta de documentos produzidos pelos jesuítas, que atuaram na América Meridional, nos quais são detalhadas a constituição e o desenvolvimento das reduções. Entre eles, destacam-se inúmeras referências aos grupos indígenas dos Guarani, Gualacho, Guañana, Itatins, Minuanos e Charruas, além de outros. Também estão presentes documentos sobre os Tratados de Limites, estabelecidos entre Portugal e Espanha, a partir de 1750, e os impactos da demarcação de fronteira entre os grupos nativos.

14 de outubro de 2015

Documentos históricos: Antecedentes do Tratado de Madri



Pondo fim oficialmente ao Tradado de Tordesilhas, o Tratado de Madrid definiu os limites territoriais das colônias de Portugal e Espanha na América do Sul.

A obra é um livro sobre os antecedentes do tratado abordando questões como as expedições jesuíticas, as Missões e a relação entre o Estado espanhol e o Estado português.

São documentos da época que facilitam o entendimento das circustâncias que antecederam a assinatura do tratado de Madri e que expõem fatos do cotidiano missioneiro.

Esta obra faz parte da “Coleção de obras impressas e manuscritas que tratam principalmente do Rio da Prata” foi reunida pelo militar, professor de história e diplomata Pedro De Angelis (1784 – Nápoles; 1859 – Buenos Aires), durante sua estada na capital portenha, no período de 1820 até 1852. Exilado após a queda de Rosas, De Angelis conseguiu negociar com a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, que adquiriu grande parte de sua Coleção.

A Coleção compõe-se de mais de 1.200 documentos manuscritos, produzidos no período compreendido entre o século XVI e o século XIX. São documentos originais e cópias autênticas de relatos, correspondências e processos de vários tipos, que atestam a conturbada história das áreas de fronteira entre as Américas Portuguesa e Espanhola. Parte significativa da Coleção é composta de documentos produzidos pelos jesuítas, que atuaram na América Meridional, nos quais são detalhadas a constituição e o desenvolvimento das reduções. Entre eles, destacam-se inúmeras referências aos grupos indígenas dos Guarani, Gualacho, Guañana, Itatins, Minuanos e Charruas, além de outros. Também estão presentes documentos sobre os Tratados de Limites, estabelecidos entre Portugal e Espanha, a partir de 1750, e os impactos da demarcação de fronteira entre os grupos nativos.

Confira a obra completa, disponibilizada pela biblioteca Nacional, no link: http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss1019247/mss1019247.pdf

12 de outubro de 2015

Feliz dia das Crianças!

Hoje é o Dia das Crianças, e preparamos atrações especiais para comemorar esta data com a alegria e doçura que ela envolve!

Parabéns às crianças por este dia. Aproveitem cada minuto dele e desta fase iluminada da vida! Feliz Dia das Crianças!


"Se me fosse concedido
Pelo Ser Onipotente
Que eu escolhesse um presente,
Algo de grande e querido,
O meu supremo pedido
Seria voltar distância
À primeira ignorância,
Mais doce do que uma flor
Eu pediria ao Senhor
Que me devolvesse a infância!

Eu não queria dinheiro,
Nem fortuna, nem saúde,
Mas aquela alminha rude
De piazito missioneiro
Ao pé do fogão campeiro
Do velho pago avoengo,
Ouvindo o vento andarengo,
Senhor do tempo e caminho,
Contando, devagarzinho,
Histórias do diabo rengo...

Sentindo a fumaça crua
Que faz chorar de brinquedo,
Meio arrepiado de medo
Dos duendes da pampa nua,
E o beijo da mãe charrua
Mais doce que um caramelo,
Naquele doce desvelo
Que de ternura se esvai
E a mão amiga do pai
Me esparramando o cabelo!

Jayme Caetano Braun
Sugestões de livros infantis e juvenis com a temática das Missões para a criançada aprender ainda mais sobre esta história!


16 de setembro de 2009

Resenha do livro "Pedido de Perdão ao Triunfo da Humanidade"


O livro Pedido de Perdão ao triunfo da Humanidade mostra a importância que as Missões tiveram na concepção de um mundo fraternal-igualitário-possível e especialmente na formação da idéia de que a utopia do cristianismo se realizou durante 160 anos da experiência missioneira.

Esta obra tem o objetivo de contextualizar o que foi o mundo missioneiro anteriormente ao período Jesuítico-Guarani, apresentar “A Experiência” e mostrar a herança que aquele período deixou à humanidade.O livro contextualiza as diversas forças que levaram à montagem do projeto missionário, analisando seu crescimento, apogeu e supressão. Também mostra que o Guarani não desapareceu, e que apesar do extermínio de parte da gente daquele período, sua genética e cultura continuam vivas no meio regional e estadual, e nos países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).

O livro foi produzido para abrir o coração dos herdeiros dos mandantes das atrocidades contra os povos nativos daquele período histórico para que, de alguma forma, possam ajudar a reconstruir uma vida completa para os herdeiros missioneiros que estão vivos. A Humanidade espera o pedido de perdão dos que enterraram as esperanças da realização da utopia do cristianismo nas Missões.


www.ihu.unisinos.br/noticias/noticias-anteriores/36843-sete-povos-das-missoes-uma-experiencia-sem-precedentes